Acorda sem olhar o relógio que provavelmente marca um horário diferente do seu comum. O radio do relógio toca, qualquer coisa q ele já ouviu e se prestar atenção, vai fazer lembrar-lhe alguém que lhe chamou a atenção alguma outra vez. Apoia-se na porta pra ficar escovando os dentes, de costas pro espelho, de frente para seus pensamentos, de toda uma vida que só assim pode ser vivida. “Mas não com omissão, isso não”, foi o segundo grande pensamento do dia. O primeiro pensamento, materializado no pão na chapa – aqueles feitos sem mais nem porque, com um café com leite do jeito que só ele consegue fazer – e sempre disse que não precisa mais (a vida é simples, simples), pra sentar e deixar que os demais pensamentos conduzam aquele dia.  Tira a calça, coloca a bermuda, meia, tênis, aquece, olhos fechados (pra te encontrar…), chave no portão, 15 passos, trote, corrida. O vento tocando o seu rosto, lhe lembrando que o tempo vai com ele: levando em suas asas, os seus dias dessa vida passageira. Não presta atenção nos rostos nas janelas dos sobrados, nas caras assustadas dos ônibus, na vida passando em cada vida que passava por ele. Respiração no lugar, olhar pro nada, cabeça mais distante ainda. Não vê também uma loira de olhos azuis claros que olha pra ele com aqueles olhares que tem todas as intenções e palavras que cabem naquele tão singular “não é nada”, que cada mulher diz antes de começar a discutir com o amado (ou quase), conforme a reação. E talvez nem fosse preciso, ele acabaria respondendo de um jeito surpreendente aquele “não é nada”. Confuso?

Como cada historia que ele já tinha ouvido e tinha começado a lembrar, quando os pensamentos chegaram ali. De amizades sinceras, amores impossíveis, tardes de todos os dias, noites contadas, momentos únicos, alguns mais, outros menos; Em todas as vezes que repetiu as mentiras que uma realidade traz, para que elas se tornassem as verdades dos próximos momentos. Os passos estão constantes, a respiração nem tanto. Corre por um caminho que já conhece, e que sempre lhe trouxe paz. Daquelas que a gente tem dentro da gente e deixa que as circunstâncias encubram, que os dias lhe permitam omitir, que os outros insistem em remover. Daquelas que a gente sempre reencontra quando se permite momentos assim, de parar um pouco – mesmo correndo – pra fazer tudo ser mais. E viver cada instante com toda descrição, com particularidade, com a singularidade que nossa vida merece.

Até bater no portão de casa, com o corpo suado e alma leve. E aquecer novamente pra não ficar com jeito (explicito) de falso atleta no resto da semana. E ir tirando a roupa, cantando aquela musica que lhe acordou, sem lembrar de todos os detalhes daquela que lhe chamou a atenção. Sem esquecer que a vida é mais e só fica assim quando a gente continua fazendo os pequenos acontecimentos tornarem a vida espetacular.

E SE TEM SÍMBOLO ACIMA, EU CONTO UM CONTO (trouxe o símbolo para não gerar confusões de conteúdo). TEM MAIS AQUI.

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