De segunda à sexta, sempre lá. Ao lado da arvore, no lado esquerdo da escada, segurando o corrimão com uma mão, cigarro na outra e, há uns três meses, o boné, ou touca, ou bata clava, ou lenço. Antes tinha a fumaça, a cara de ok com o olhar no horizonte, e o cabelo. Este último, já não tem mais. Os demais ritos seguem lá.

Que coisa a vida, não? Nós nunca sabemos o tempo de ninguém, nem mesmo o nosso. Mas alguns indícios sempre estão lá. O relógio dele sendo esgotado, e entre várias escolhas que poderia ter, optou por manter tudo como está. Já que o fim é inevitável, porque ele não aproveitaria o meio exatamente do jeito que ele mais gosta?

E no nosso tempo de vida, como estamos fazendo? Nosso relógio passa igual e nunca sabemos o tempo de ninguém, nem mesmo o nosso. Que a gente esgote em tudo que a gente tem de bom para que, quando for para acabar, não seja aquele fim religiosamente construído, de tons de preto, caixão e despedidas. Mas como um até logo, para este lado das escolhas.

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