Culturix #11

Para assistir

Carol (2016) não tem uma história grandiosa, mas vira uma grande história na narrativa impecável, nas atuações impressionantes de Cate Blanchet e Rooney Mara, e numa fotografia que coloca você nos anos 50 o filme inteiro. Vale por tudo isso. Uma história maior você encontra em O quarto de Jack, que também tem um par de atuações muito bacanas. O mesmo ator mirim faz um filme “B” que é curioso de assistir, e levemente assustador pra quem tem medo com filmes do gênero: O sono da morte. Eu gostei mais desse filme pelas possibilidades que a história abre para outras versões do que do filme em si. Como série funcionaria melhor.

Que foi o formato escolhido por Matt e Ross Duffer para fazer Stranger Things. Hype (no ano de 2016) a parte, vale assistir por ser um grande filme dividido em 8 partes de 50 minutos. Mais uma produção que a Netflix acerta em cheio por ter “as ferramentas ideais”. A segunda temporada de O Demolidor ficou um desbunde, e até quem não gosta de histórias em quadrinhos, tem uma trama legal pra ocupar 13 horas da vida. Eu não consegui assisti-las sem fazer binge watching.

Para ouvir

Eu parei um pouco com música nos últimos meses, pra ajudar a conseguir esvaziar a cabeça. Acabo ficando muito mais com rádios do que com álbuns, e uma vez por semana, uma passada na lista descobrir do Spotify. Como bom fã de rádio, meu caminho é o Tunein. E sim, ouço mais rádios de fora (SP, especialmente) do que de Curitiba.

Para ler

O momento espirita, apesar de sugerir religiosidade, tem mensagens universais. Esta, com pérolas de luz, serve tão bem quanto o Minuto de Sabedoria. E como reclamar menos pode fazer mais por você.

[] sem música! Tem mais aqui.

[≈] Eu tenho tudo que é de bom em você.

Saudade não é o meu forte. Mas nostalgia, hmm… como aquele calorzinho bom que vem do peito, sobe pro rosto e vira um sorriso impossível de fechar. A exata sensação que vem cada vez que vejo e eu lembro do seu rosto, do seu jeito, da sua voz, do seu sorriso… daquele bendito perfume que nem fabricam mais [o que de certa forma acho legal, pois emprestar meu sorriso pra outras moças assim de graça dá um ruim depois. Por também poder apaixonar-me por elas ou por elas simplesmente não verem nada de mais no meu sorriso, assim como você? Boa pergunta, mas não consigo pensar sobre o assunto].

Consigo pensar no seu cabelo, sempre curtinho, sempre fácil de arrumar, “como o seu, moreno! Só não passo a máquina como você faz, porque não é mais fase de Sinead o´connor”. Consigo pensar em nossas noites de sexta, até as 3 da manhã, sorrindo tímidos porque já estávamos por alguns dias sem nos encontrar, e ficávamos bobos como se fosse a primeira vez. Vai dizer que não era bom? E se não virávamos a noite com o melhor jeito para os nossos corpos, bastava o abraço e a ininterrupta conversa, sempre conectada e no fim, eram várias coisas que não eram.

Como não era fácil o tchau de segunda. Como também não foi cada diferença, cada ataque, cada “pedrada”, gratuita ou não. Mas hoje não é dia disso. Hoje é dia de ser romântico, de ser nostálgico, de você resgatar aquele eu que anda escondido em dias cinzas, salas pretas, vida colorida, corpo sem amor, alma sem paixão. Hoje é dia de buscar naquele sorriso que sempre amei, a alegria de estar vivo. Na voz que me surpreendeu, as frases que me acalmam. Nas mãos, sempre lindas, o conforto de um carinho, e aquele amor que foi guardado para outras frases, outros ritos, outros textos.

Afinal, você é a pessoa que mais faz sentido em toda essa vida. Você é o presente de surpresa, a lembrança sem falhas, a dedicação de verdade, a atenção sem desculpas, o prazer transparente, o pra valer, o tesão de conversar e estar perto de alguém e sempre querer mais e mais. É aquele espetáculo que faz tudo ficar divertido, mesmo quando não tem nenhum clima e possibilidade para assim ser. Você é a distância encurtada que não existe, é a entrega de quem quer sempre dar um pouco mais, é o ideal que eu nem tenho. E eu tenho tudo que é de bom em você.

[♫] “tudo pra você”, Sandy e Junior

E SE TEM SÍMBOLO ACIMA, EU CONTO UM CONTO. TEM MAIS CLICANDO AQUI!

não que eu tire férias de escrever,

apenas não escrevia aqui. Mas todos os dias tem algum texto pra digitar. Muitos e-mails, 12 spots de rádio por semana, conversas mais simples e comentários mais compridos em pequenos ambientes das redes sociais. A cabeça vai ficando cheia de coisas vazias, e as coisas que nos [pre]enche, são comprimidas naqueles momentos de respirar fundo e não esquecer que a vida é boa, é muito melhor quando mantem-se simples, e que nada é mais valioso do que sentir-se com o dever cumprido.

Eu, assim como você que está lendo agora, seguimos em busca de alguma coisa. Melhor exercício de nossas escolhas, melhores condições sociais, melhores pessoas para conviver, tornarmos pessoas melhores… boa parte do “foco que sobra”, ando direcionando em deixar a vida “menor”. Já não sou de acumular coisas, e sigo reduzindo cada vez mais o que tenho e uso no dia a dia, por um princípio muito simples: bem conversadinho, só utilizamos de fato 20% de tudo que temos. Mais do que sinal de que temos coisas em demasia, é um jeito de usar melhor aquilo que realmente consumimos. É um jeito melhor de aproveitar a vida que escolhi ter. É ganhar tempo pra fazer coisas que são necessárias, e as coisas que gosto. É mudar o foco para nunca ter receio ou vergonha de, quando houver a necessidade de fazer qualquer tipo de aquisição, mais que comprar aquilo que é preciso, comprar [d]o melhor que existe para tal. É nunca direcionar uma proposta de vida para parecer.

E, construir uma versão melhor de nós mesmos, para que a vida seja um exercício constante de prosperidade real: amar aqueles que estão próximos, respeitar todos os que não são e não estão, perdoar de verdade aqueles que nos magoam, manter distância real e absoluta de todas as coisas e pessoas que não nos fazem bem, ser uma pessoa digna e honrada, capaz de realizar seus sonhos de toda natureza, e passar por esta jornada como um período de evolução suficientemente bom para si e os que estiverem ao redor. E seguir fazendo com que o resto seja só o resto.

[♫] Mundo Livre FM

O [meu] lado b do estresse.

Estar clinicamente estressado era novidade pra mim até dia desses. Aí você assiste seu corpo simplesmente não se recuperar de coisas simples como uma dor de cabeça, um machucado demorar para fechar, e uma lesão muscular – habitual e normal para quem tem 15 anos de atividade esportiva frequente – simplesmente ter um aspecto de incurável sem ter necessariamente relação com a idade, o sinal muda de cor.

Adoecer é da vida, é do corpo, é da maneira como nos expomos aos nossos dias. Fiquei surpreso – um plus na frustração do estado mental – com o impacto que o estresse efetivamente causa no cotidiano. O motivo, está aqui desenhado no monotema que este espaço ganhou no semestre. É auto explicativo o fato de conduzir [exceto no aspecto financeiro] uma empresa, e ter o bem mais valioso de todos [o tempo] sendo mais consumido do que investido. Em algum lugar essa conta é paga. Tem sido no corpo. Até tenho conseguido ficar mais paciente que o de costume, por estar vendo parte do cenário como um plantio, e a outra parte como um aprendizado.

Mas é complicado ter que lidar diariamente com pessoas que estão ao seu lado, mas não querem caminhar com a mesma velocidade. Você imprimir um ritmo de conduta e de valor, e estar sempre com o tapete meio puxado por preguiça, por desatenção, por incompetência. O lado a do estresse é o estado quase constante de irritação [que administrei com silencio, e com oportunidades de passar bastante tempo sozinho], e a necessidade de repetir palavras e/ou atos que não apenas testam, mas rompem a resiliência que é necessária para ser minimamente tranquilo. Ai verbalizar, dar de dedo, chorar, ou simplesmente não falar. O lado B é ter corpo e espirito fragilizados, suscetíveis demais aos desgastes diários, tornando curas simples em estados amargos. Soma com a insônia, com noites de vários sonhos “conversados” e com dias mais difíceis do que deveriam, temos o resto com um pouco mais de dificuldade de ser apenas só o resto.

[] Eldorado FM

Vocação

Minha esposa perguntou dia desses porquê escolhi minha carreira. Noutros tempos era uma resposta que tinha mais na ponta da língua, mas o tempo é assim, a vida também… vamos nos esquecendo dos motivos de nossas escolhas e apenas levando.
Ainda foi uma resposta rápida: depois de ver um filme, e ao ver a maneira como meu irmão trabalhava, mas o simples atrativo pela tecnologia, publicidade me parecia uma ocupação formidável. Não por ser uma ponte de venda das coisas ou idéias para pessoas, mas por usar ferramentas de uma forma que poderiam influenciar alguém a pensar ou fazer algo. Meio maquiavélico dito assim, contudo, no fim das contas, é a diversão de satisfazer as pessoas, para que elas vivam uma sensação positiva. A direção de arte nunca foi uma alternativa, e ao estudar mais e seguir apaixonado pela gestão e marca, essa profissão virou a paixão de conduzir pessoas e /ou marcas a uma evolução, seja pela simples compra de um produto ou serviço, ou pelo crescimento honesto, real e sustentável no mercado.
Sobre a direção de arte em si, parte da minha profissão é ser um artesão de marteking. Criar materiais de grande reprodução para chegar ao máximo de locais possíveis, apresentando da maneira mais bonita possível uma ideia, produto ou serviço. Como gestor de um dpto de criação, é deixar os demais artesãos com o máximo e tranquilidade / conforto para que trabalhem bem.
É na arte que geralmente encontro a paixão e a emoção para fazer o artesanato diário. Ilustração, pintura, arquitetura… pequenas doses de emoções e sensações expostar por outros, tocam em mim o senso e a lembrança de tudo que faço, e como preciso fazer. Mesmo que sequer chegue perto de ser algo expressivo e sensorial como a arte.
Por isso, ainda levo a minha carreira como algo maior que a profissão, como uma vocação. Mesmo que a vida me condicione a buscar outras áreas  outros tipos de trabalho onde possa vir a ter maior efetividade, no fundo ainda me sentirei um artesão apaixonado por arte. E o resto seguirá sendo o resto.

Olhar pra trás, viver pra frente, ser [n]o momento.

Entre as várias coisas que repito aqui, uma que gosto de frisar é que ter blog é contribuir indiretamente para seu biógrafo, precisando ou não. Quando o coração aperta e a gente começa a esquecer qual era o sentido que a gente via no que tá fazendo, é só pegar e vir aqui. Lembrar por lembrar é mais complicado. Não importa quão boa seja sua memória, conforme a maneira como você utiliza seus dias e principalmente, seus smartphones, o que lembramos passa ser bem mais seletivo e restrito. Começa em saber quais são os telefones das 3 pessoas mais importantes da sua vida e acaba numa distorção ainda maior d[o que foi]a realidade. Por outro lado, gastamos uma energia muito maior discutindo assuntos do cotidiano dos outros, seja por “noticias que não vão mudar o mundo”, seja por coisas e pessoas que vemos em redes e mídias sociais.

Esse vem e vai acaba nos distanciando de onde podemos encontrar nossa melhor versão, que é no dia a dia. Ou nos apegamos ao passado e esperamos dele ter uma alegria, ou depositamos no futuro a esperança de ter dias melhores. É na transitoriedade de cada dia que seguimos construindo o melhor que desejamos e sonhamos, como também colhemos o que semeamos no desenrolar das nossas escolhas. Não vejo erro em olha pra trás ou sonhar com o que vem, mas somos o momento presente. É hoje que construímos aquilo que queremos de melhor. Agora é o momento de fazer historia e ter coisas para contar e esperanças para alimentar. Em cada dia vamos encontrar, descobrir e dispensar tudo que fara o resto ser apenas o resto.

[♫] Lumen FM

Números e porcentagens.

Uma das frases motivacionais “prontas/clichês” que mais faz sentido pra mim é: “na 10% das coisas são como elas acontecem, e 90% é como você pensa, sente e reage a elas”. Existem inúmeras flexões desta frase e certamente quem está lendo isso agora, já esbarrou com alguma delas. A essência da mensagem fica: as coisas e as pessoas, apenas são. Que peso e tamanho elas terão na sua vida, é sua escolha. Ou seja, a essência do livre arbítrio que todas as religiões tem em suas mensagens, com mais ou menos regras, com mais ou menos castigos, com mais ou menos imposições indicações de escolhas.

Saio a maior parte dos dias da minha casa com esse pensamento, pois o cenário atual da vida (profissional) é uma soma de escolhas que definitivamente não me agrada. O contexto socioeconômico no qual estou encaixado cria uma pressão do tamanho de uma tonelada, pois as responsabilidades assumidas com esse compromisso, essencialmente, não são pra mim. É um conflito que não só me consome, pegou recorrência nas escritas daqui. Talvez seja um ato reflexo de uma vida “monotemática”, natural do momento. Ou uma pequena fase de aprendizado com a qual estou “reinando” mais do que deveria.  É um passo “no meio” de um plantio de longa data que tem uma colheita em breve. É escrevendo que desabafo e deixo os dias o quão leve conseguir ;)

[♫] Lumen FM