O [meu] lado b do estresse.

Estar clinicamente estressado era novidade pra mim até dia desses. Aí você assiste seu corpo simplesmente não se recuperar de coisas simples como uma dor de cabeça, um machucado demorar para fechar, e uma lesão muscular – habitual e normal para quem tem 15 anos de atividade esportiva frequente – simplesmente ter um aspecto de incurável sem ter necessariamente relação com a idade, o sinal muda de cor.

Adoecer é da vida, é do corpo, é da maneira como nos expomos aos nossos dias. Fiquei surpreso – um plus na frustração do estado mental – com o impacto que o estresse efetivamente causa no cotidiano. O motivo, está aqui desenhado no monotema que este espaço ganhou no semestre. É auto explicativo o fato de conduzir [exceto no aspecto financeiro] uma empresa, e ter o bem mais valioso de todos [o tempo] sendo mais consumido do que investido. Em algum lugar essa conta é paga. Tem sido no corpo. Até tenho conseguido ficar mais paciente que o de costume, por estar vendo parte do cenário como um plantio, e a outra parte como um aprendizado.

Mas é complicado ter que lidar diariamente com pessoas que estão ao seu lado, mas não querem caminhar com a mesma velocidade. Você imprimir um ritmo de conduta e de valor, e estar sempre com o tapete meio puxado por preguiça, por desatenção, por incompetência. O lado a do estresse é o estado quase constante de irritação [que administrei com silencio, e com oportunidades de passar bastante tempo sozinho], e a necessidade de repetir palavras e/ou atos que não apenas testam, mas rompem a resiliência que é necessária para ser minimamente tranquilo. Ai verbalizar, dar de dedo, chorar, ou simplesmente não falar. O lado B é ter corpo e espirito fragilizados, suscetíveis demais aos desgastes diários, tornando curas simples em estados amargos. Soma com a insônia, com noites de vários sonhos “conversados” e com dias mais difíceis do que deveriam, temos o resto com um pouco mais de dificuldade de ser apenas só o resto.

[] Eldorado FM

Vocação

Minha esposa perguntou dia desses porquê escolhi minha carreira. Noutros tempos era uma resposta que tinha mais na ponta da língua, mas o tempo é assim, a vida também… vamos nos esquecendo dos motivos de nossas escolhas e apenas levando.
Ainda foi uma resposta rápida: depois de ver um filme, e ao ver a maneira como meu irmão trabalhava, mas o simples atrativo pela tecnologia, publicidade me parecia uma ocupação formidável. Não por ser uma ponte de venda das coisas ou idéias para pessoas, mas por usar ferramentas de uma forma que poderiam influenciar alguém a pensar ou fazer algo. Meio maquiavélico dito assim, contudo, no fim das contas, é a diversão de satisfazer as pessoas, para que elas vivam uma sensação positiva. A direção de arte nunca foi uma alternativa, e ao estudar mais e seguir apaixonado pela gestão e marca, essa profissão virou a paixão de conduzir pessoas e /ou marcas a uma evolução, seja pela simples compra de um produto ou serviço, ou pelo crescimento honesto, real e sustentável no mercado.
Sobre a direção de arte em si, parte da minha profissão é ser um artesão de marteking. Criar materiais de grande reprodução para chegar ao máximo de locais possíveis, apresentando da maneira mais bonita possível uma ideia, produto ou serviço. Como gestor de um dpto de criação, é deixar os demais artesãos com o máximo e tranquilidade / conforto para que trabalhem bem.
É na arte que geralmente encontro a paixão e a emoção para fazer o artesanato diário. Ilustração, pintura, arquitetura… pequenas doses de emoções e sensações expostar por outros, tocam em mim o senso e a lembrança de tudo que faço, e como preciso fazer. Mesmo que sequer chegue perto de ser algo expressivo e sensorial como a arte.
Por isso, ainda levo a minha carreira como algo maior que a profissão, como uma vocação. Mesmo que a vida me condicione a buscar outras áreas  outros tipos de trabalho onde possa vir a ter maior efetividade, no fundo ainda me sentirei um artesão apaixonado por arte. E o resto seguirá sendo o resto.

Olhar pra trás, viver pra frente, ser [n]o momento.

Entre as várias coisas que repito aqui, uma que gosto de frisar é que ter blog é contribuir indiretamente para seu biógrafo, precisando ou não. Quando o coração aperta e a gente começa a esquecer qual era o sentido que a gente via no que tá fazendo, é só pegar e vir aqui. Lembrar por lembrar é mais complicado. Não importa quão boa seja sua memória, conforme a maneira como você utiliza seus dias e principalmente, seus smartphones, o que lembramos passa ser bem mais seletivo e restrito. Começa em saber quais são os telefones das 3 pessoas mais importantes da sua vida e acaba numa distorção ainda maior d[o que foi]a realidade. Por outro lado, gastamos uma energia muito maior discutindo assuntos do cotidiano dos outros, seja por “noticias que não vão mudar o mundo”, seja por coisas e pessoas que vemos em redes e mídias sociais.

Esse vem e vai acaba nos distanciando de onde podemos encontrar nossa melhor versão, que é no dia a dia. Ou nos apegamos ao passado e esperamos dele ter uma alegria, ou depositamos no futuro a esperança de ter dias melhores. É na transitoriedade de cada dia que seguimos construindo o melhor que desejamos e sonhamos, como também colhemos o que semeamos no desenrolar das nossas escolhas. Não vejo erro em olha pra trás ou sonhar com o que vem, mas somos o momento presente. É hoje que construímos aquilo que queremos de melhor. Agora é o momento de fazer historia e ter coisas para contar e esperanças para alimentar. Em cada dia vamos encontrar, descobrir e dispensar tudo que fara o resto ser apenas o resto.

[♫] Lumen FM

Números e porcentagens.

Uma das frases motivacionais “prontas/clichês” que mais faz sentido pra mim é: “na 10% das coisas são como elas acontecem, e 90% é como você pensa, sente e reage a elas”. Existem inúmeras flexões desta frase e certamente quem está lendo isso agora, já esbarrou com alguma delas. A essência da mensagem fica: as coisas e as pessoas, apenas são. Que peso e tamanho elas terão na sua vida, é sua escolha. Ou seja, a essência do livre arbítrio que todas as religiões tem em suas mensagens, com mais ou menos regras, com mais ou menos castigos, com mais ou menos imposições indicações de escolhas.

Saio a maior parte dos dias da minha casa com esse pensamento, pois o cenário atual da vida (profissional) é uma soma de escolhas que definitivamente não me agrada. O contexto socioeconômico no qual estou encaixado cria uma pressão do tamanho de uma tonelada, pois as responsabilidades assumidas com esse compromisso, essencialmente, não são pra mim. É um conflito que não só me consome, pegou recorrência nas escritas daqui. Talvez seja um ato reflexo de uma vida “monotemática”, natural do momento. Ou uma pequena fase de aprendizado com a qual estou “reinando” mais do que deveria.  É um passo “no meio” de um plantio de longa data que tem uma colheita em breve. É escrevendo que desabafo e deixo os dias o quão leve conseguir ;)

[♫] Lumen FM

Achados e perdidos.

O tempo faz assim mesmo: vamos achando e perdendo algumas coisas nossas e do nosso redor pelo caminho.

Meu pacote de sessões, desta vez, inclui: achar na inevitável quebra de fronteira de horários de trabalho, um pacote todo novo de maneiras de amar o que faço e literalmente adquirir pavor de lidar com algumas pessoas. Achar novas maneiras de ficar esgotado, que vão do puro e simples “desmaiar de dormir, ou dormir de desmaiar”, até o esquecimento de atitudes simples, como fechar a porta de casa, e [a esposa, que chega antes] voltar do expediente de trabalho e levar aquele sustinho básico de pensar que furtaram algo (mas não aconteceu nada).

Perder um pouco do poder de distração com banalidades, tipo aquela rede social gigante. Achar na loucura dos dias a tristeza de situações ruins e a alegria de pequenos momentos. Perder a fé nas escolhas dos outros e, ao mesmo tempo, achar a lembrança de que no alto do meu livre arbítrio, se escolhi determinadas coisas e projetos, devo arcar com suas consequências. Achar ene formas de escrever sobre ofertas de carros. Achar entre cada espaço uma ideia para escrever aqui [mas parar e postar, só hoje mesmo], ou, no caso, maneiras diferentes de desabafar sobre o que o mundo chama de rotina. Perder o senso constante de frustração, por ter achado um “estado neutro” de irritação, que permanece até reencontrar a lembrança acerca das escolhas e livre arbítrio.

Entre outras coisas que deixam o resto sendo o resto.

[] sem música!

Cotidiano.

Após vários anos lidando com um padrão de clientes que tinham uma posição diferente no mercado, fui finalmente exposto aos “clientes padrão” do mercado publicitário: remuneração abaixo da realidade, volume de trabalho um pouco acima da realidade (porque quem não tem competência sempre faz mais do que precisa, usa mais do que precisa, e tem menos retorno do que espera), e respeito completamente fora do que considero aceitável.

As circunstâncias econômicas empurram para um cenário de regime aberto de prisão, mas o carcereiro não é quem emprega. Somos nós mesmos, que pelas necessidades de quem depende de você possuem, pela pressão direta dentro de casa para “esse estado de coisas aqui eu não sei se é bom para você, mas pra mim tá ótimo”, e o próprio cenário externo que gera uma insegurança incondicionada, acabamos [por vezes] por escolher ficar mais vitima que o comum. O desgaste emocional e psicológico é grande, pois com o aumento da produtividade laboral, vem a redução da sensação de validez, pois nenhum esforço parece o suficiente e o que funciona sempre está no modo “não tô vendo mais que a obrigação”.

Escrevi em outra oportunidade que uma boa parte desta vida, não vivo por mim. Se vivesse, se não tivesse quem dependesse, se não existissem as pressões cotidianas, já estaria naquele caminho que só os empreendedores de sucesso vendem, depois de décadas de ralação, explicando que a vida é romantiquinha e bonitinha e dá sim pra ser bem sucedido, seja lá o que isso significar. É um momento onde aquela frase absurda de “ou você trabalha ou você vive, os dois você não faz” chegou num estágio mais que incomodo. E não há nenhuma mudança que possa ser feita que não seja (a) radical ou (b) crie uma ruptura irremediável.

Escrevo não por reclamar ou para reclamar por reclamar, mas para que lembre, daqui alguns anos, que assim como a prosperidade e “agora os caminhos vão só para um passeio melhor” de outrora, tudo muda. Tudo passa. E da proximidade do 11º ano escrevendo aqui, que em algum tempo, quando eu olhe seja para essa página aqui ou para onde os textos nascem e ficam salvos, lembre-me de que a vida é assim mesmo graças as escolhas que fazemos. E que o cotidiano sempre será como a gente realmente quiser. Que mesmo com períodos ruins, á vida é boa. A vida é feliz sim. E a gente sempre consegue fazer do pouco um tudo e de tudo um pouco. Até fazer o resto ser sempre o resto.

[] sem música!

 

[≈] no tempo da vida dele.

De segunda à sexta, sempre lá. Ao lado da arvore, no lado esquerdo da escada, segurando o corrimão com uma mão, cigarro na outra e, há uns três meses, o boné, ou touca, ou bata clava, ou lenço. Antes tinha a fumaça, a cara de ok com o olhar no horizonte, e o cabelo. Este último, já não tem mais. Os demais ritos seguem lá.

Que coisa a vida, não? Nós nunca sabemos o tempo de ninguém, nem mesmo o nosso. Mas alguns indícios sempre estão lá. O relógio dele sendo esgotado, e entre várias escolhas que poderia ter, optou por manter tudo como está. Já que o fim é inevitável, porque ele não aproveitaria o meio exatamente do jeito que ele mais gosta?

E no nosso tempo de vida, como estamos fazendo? Nosso relógio passa igual e nunca sabemos o tempo de ninguém, nem mesmo o nosso. Que a gente esgote em tudo que a gente tem de bom para que, quando for para acabar, não seja aquele fim religiosamente construído, de tons de preto, caixão e despedidas. Mas como um até logo, para este lado das escolhas.

E SE TEM SÍMBOLO ACIMA, EU CONTO UM CONTO (trouxe o símbolo para não gerar confusões de conteúdo). TEM MAIS AQUI.